terça-feira, 6 de abril de 2010

Crónica de Miguel Sousa Tavares: Para acabar de vez com os túneis

1 O único jornal desportivo que leio diariamente, excepto em circunstâncias excepcionais, é este. Não só porque aqui colaboro, mas porque A BOLA é o meu jornal desportivo desde a infância — e aquilo que mais me custa é mudar de hábitos quando não vejo razão para o fazer. Tudo o que sei, pois, sobre o acórdão do CJ li-o aqui na BOLA. E, assim sendo, não posso deixar de reclamar por ter sido necessário Pinto da Costa dizê-lo na televisão, para eu ficar a saber que o acórdão do CJ que desautorizou em toda a linha a pífia doutrina jurídica do CD e de Ricardo Costa, foi outorgado por unanimidade dos sete membros-juízes. Por unanimidade! Dos sete votantes! Acho mal que este jornal, que pela pena do José Manuel Delgado, logo no dia seguinte começou a contestar a sentença do CJ, chegando ao ponto de atribuir a demissão de Hermínio Loureiro à presumida indignação que tal sentença lhe terá causado, se tenha abstido de nos dar essa pequena-fundamental informação: que nem um só dos sete membros do CJ subscreveram a tese jurídica/desportiva de Ricardo Costa e José Manuel Delgado.

Mas, a este propósito, a desinformação tem sido mais do que muita. Por exemplo: os «justiceiros» acusam o CJ da absurda tese de considerar os stewards iguais aos espectadores, para efeitos disciplinares. Ora, isso é falso. O acórdão não diz tal coisa: diz sim, que não sendo a lei explicita em qualificar quem são os agentes desportivos e sendo absurdo considerar os stewards como tal, havendo necessidade de punir uma agressão sobre eles, a solução menos chocante é equipará-los aos espectadores, para esse efeito, e para esse efeito apenas. Mas, vendo aí uma tábua de salvação, logo vieram os «justiceiros» lembrar o caso de Eric Cantona e a sua célebre agressão a um espectador, durante um jogo do Manchester United. E, perguntam, muitos espertinhos: então o Cantona agrediu um espectador e levou sete meses e o Hulk e o Sapunaru agridem um equivalente a espectador e levam só três e quatro jogos?

Quem assim argumenta está de má-fé e denuncia-se. Eles não querem, nem nunca quiseram, defender uma justiça que todos compreendam e que se faça respeitar. A única coisa que querem é dar largas ao seu ódio ao FC Porto, seja com que pretexto e com que método for. Para eles, a noção de justiça — desportiva ou comum — é simples: se é contra o FC Porto, eles aplaudem; se é a favor, é porque está também corrompida e pactua com o «sistema que vigorava» (já não vigora, desde que o Benfica passou para a frente). Se o Dr. Ricardo Costa condena o FC Porto e o seu presidente por factos que considerou provados no Apito Dourado, sim senhor, até que enfim que se faz justiça! Mas se, depois, quatro tribunais e seis magistrados judiciais consideram os factos não provados, a testemunha principal perjura e os absolvem, é porque infelizmente os juízes não tiveram coragem. Se o Dr. Ricardo Costa descobre uma nova categoria de «agentes desportivos» e com isso arruma o Hulk e o Sapunaru do campeonato, ah grande homem, que não tem medo de enfrentar o «sistema» e fazer Justiça! Mas se, depois, vêm os sete membros do CJ dizer-lhe que tenha juízo e não invente o que não está na lei, é porque ainda há resquícios do «sistema» encravados lá dentro. Um só homem — o Dr. Robin Costa — é que representa a justiça, contra tudo e contra todos!

Quem viu as tão faladas imagens do túnel da Luz e se lembra da imagem da agressão do Cantona sabe que os «justiceiros» só podem estar de má-fé. Nas imagens da Luz pouco mais se percebe do que uma molhada de gente, toda junta, empurrando-se e, eventualmente agredindo-se (a propósito: segunda-feira foi publicada aqui uma curiosa fotografia em que se vê o Hulk inclinado para trás e apoiado pelo Sapunaru, aparentemente acabado de receber ou tentando evitar uma agressão a murro de um segurança que se vê de punho estendido para ele. Quererão republicá-la e explicá-la?). Quanto ao Cantona, quem se lembra, recorda de certeza a extrema violência do gesto do francês, saindo do campo para enfiar um pontapé de karatê na cara de um espectador sentado na primeira fila da bancada, à vista de todo um estádio e todo um mundo televisivo. É preciso fazer da justiça uma palhaçada para defender a semelhança das situações, da sua gravidade e das respectivas punições.

Não querer ver isto, tentar fazer-nos acreditar que o que quer que se tenha passado entre os jogadores do FC Porto e os seguranças do Benfica no túnel da Luz justificava a mais grave punição disciplinar de sempre do futebol português, é pura desonestidade intelectual. Achar normal e justo que um dos melhores jogadores do campeonato ficasse, por causa disso, impedido de jogar durante quatro meses, é tirar a máscara do fair-play e da «moralização do sistema» e mostrar que se está pronto para ganhar a qualquer custo e de qualquer maneira. E esconder a mão atrás de uns regulamentos simplesmente imbecis, mas que, apesar disso e como se demonstrou, não permitiam a despudorada ginástica jurídica levada a efeito, é um exercício de hipocrisia indisfarçável.

De há muito que defendo que o futebol deveria ter um tribunal desportivo, que se substituísse à Comissão Disciplinar, e que julgasse pela equidade e pela jurisprudência, em substituição de regulamentos idiotas, feitos por juristas incompetentes e aprovados em Assembleias-Gerais onde mais de metade dos votantes nem percebe o que está a votar. Esse tribunal julgaria apenas e só segundo critérios de equidade e de justiça — de forma simples, expedita e que todos pudessem entender e aceitar. O Cantona saíu do campo para agredir um espectador que pagou bilhete para ver o jogo, deu-lhe um pontapé de uma violência inaudita, enfiando com ele no hospital, com um traumatismo craninano — sete meses de suspensão, porque aquilo, de facto, foi chocante e inqualificável. O Hulk envolveu-se no túnel, à vista de uma dúzia de pessoas, com um segurança que o provocou e que ali não deveria estar e, dizem os autos, enfiou-lhe um pontapé no traseiro — três jogos de suspensão e, pessoalmente, já acho um exagero (é bem mais grave partir a perna a um adversário, no campo). Esta justiça, todos compreenderiam e teriam de aceitar, e não seria preciso andar a discutir interpretações de regulamentos nem ficar dependente das fúrias justiceiras de um qualquer iluminado ou da composição clubística dos órgãos de justiça. Só haveria um problema e inicial: para que o tribunal pudesse julgar casos iguais de igual forma, seria preciso que antes tivesse sido estabelecida doutrina pacífica e clara. E, para isso, a primeira composição do tribunal, que julgaria então apenas segundo a equidade, seria decisiva. Seria necessário que os «Founding Fathers» desse tribunal fossem absolutamente prestigiados, insuspeitos e justos — para assim criarem jurisprudência, que os seguidores depois teriam de acatar. Mas, caramba, não seria possível encontrar cinco cidadãos justos e honestos disponíveis para inaugurarem esse tribunal?

2 Nas últimas jornadas, o FC Porto perdeu quatro pontos por erros de arbitragem contra Olhanense e Paços de Ferreira, ambos no Dragão. Acontece. Também acontecem arbitragens ainda mais infelizes que acabam a decidir jogos — como a de Artur Soares Dias, um dos mais promissores árbitros que temos, no Braga-Guimarães. Mas, se não têm acontecido esses três incidentes de percurso (e apenas falo dos recentes), o FC Porto estaria agora, não a cinco pontos de distância do Braga, mas sim com um ou dois de vantagem. E se o Braga estivesse ainda a discutir o campeonato com o Benfica e não já apenas a ida à Champions com o FC Porto, a arbitragem do jogo com o Guimarães teria incendiado o país. Convém, todavia, notar que o Benfica pode somar outra grande vitória à conquista do título: evitar que o FC Porto vá à Champions. Se isso suceder, os portistas perdem desde logo uma receita mínima previsível de 12/13 milhões de euros, que muito jeito dará para reforçar a equipa dos Guaríns e Valeris. E se, como eu prevejo, o Braga, ficando em segundo lugar, não sobrevive às eliminatórias da Champions, isso significa que o Benfica faz sua toda a receita dos direitos televisivos, sem ter de a dividir a meias com outro clube português participante na competição. Há que estar atento, Sr. Vítor Pereira.

3 E, por falar em arbitragens, também não me importava mesmo nada que, para o ano na Europa, o FC Porto encontrasse arbitragens tão, tão, tão simpáticas como a que o Benfica encontrou contra o Liverpool.

Miguel Sousa Tavares n' A Bola.

i recebe 13 prémios da Society for News Design

O i ganhou 13 prémios na 31ª edição do concurso mundial de desenho jornalístico da Society for News Design (SND). De entre os 13 galardões estão duas medalhas de prata, uma para a secção “iReportagem” e outra para o portfolio sobre os bastidores da pornografia de José Pedro Tomaz.

O i volta a estar entre os melhores do mundo, a par do Expresso (19 prémios) e do Público (5 prémios)


Veja os 13 prémios que o i recebeu:

Medalhas de Prata


Photography/Multiple Photos, Project page or spread, “Nos bastidores da pornografia”
News Design/Sections, Other, “iReportagem”

Menções honrosas


Special news topics, Editor's Choice: National, Taking the measures of the prime minister
News Design/Page(s), A-Section, Lots of noise, little action: The war of words has begun
Feature design pages, Lifestyle, How do you get to the center of Lisbon?
Feature design pages, Fashion, Paris Fashion Week
News Design/Page(s), Other, The new troops come from America
Magazines, Inside features page design, You can laugh any time of the day
Magazines, Special Editions, Voluntarios
Photography/Multiple Photos, Project page or spread, Picking up a sea shell called “percebes.” One brave activity. (Nós)
Illustration, portfolio individual (The studio, Nós)
Magazines, Special Editions, 50 things we can’t live without
Miscellaneous, Mini paper


Veja aqui todos os vencedores


A SND é uma organização internacional dedicada aos profissionais que trabalham no sector do jornalismo, em particular aqueles envolvidos no design gráfico, na ilustração, infografia e web design. Foi fundada em 1979 nos Estados Unidos, tem cerca de 2600 membros em todo o mundo e realiza o concurso mundial de desenho jornalístico todos os anos.

Recorde-se que, o jornal i já tinha recebido o prémio de jornal europeu do ano. Este prémio foi criado por Norbert Küpper e contou com um júri com 14 elementos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Este Mini nem precisava de ser giro


"Ter Mini é giro." Era o que eu achava até pegar no Camden S. Que os Mini eram um exagero de moda, demasiados caros, demasiado pequenos, demasiado artísticos. Em boa verdade, são. O Camden S - a versão mais vitaminada da gama - é apertado para quatro, pequeno até para duas malas e caro para tão pouco carro (34 883 euros com todos os extras). Nem os pormenores - as faixas na pintura, os faróis biredireccionais, o sistema Harman Kardon desmentem o óbvio: o Mini sabe a BMW Série 3 mas aperta como um Citroën C3.

O maior erro desta geração Mini foi deixar-se definir pelo apuro estético e pela beleza das linhas. Porquê? Porque nesse estereótipo não cabe o Camden S, que é apaixonante sem precisar de mostrar nada. Durante os dias em que andei na rotação Lisboa-Porto (com lombas em Matosinhos e Leça da Palmeira), só rezei para que a gasolina não acabasse e a polícia não me apanhasse. O Camden gasta como um desalmado (11,5 litros aos 100) e anda como um louco (184 cavalos para 1,2 toneladas de peso). Para se ter ideia do salto quântico - e das rezas -, esta versão está para um Mini normal como um GTI está para o Golf: é um Kinder Surpresa de seis velocidades, hipervitaminado (até tem overboost!) e domado (felizmente) pelo controlo de tracção.

O Cam (afeiçoei-me, confesso) parece um kart - colado ao chão, dinamicamente perfeito, sempre nervoso. Em auto-estrada, o único senão é o ruído - há barulho a mais acima dos 100 km/h - e ao fim de duas horas e meia não há sistema de som que aguente. As passagens da caixa são perfeitas - nem demasiado curtas, nem demasiado longas - e em sete segundos o Cam já está nos 100 km/h.

Felizmente, este Kinder só tem surpresas positivas e qualquer excesso de condução segue com um ajustamento no controlo de tracção e um aviso: "oahhh, hold your horses" da missão de controlo, as vozes com sotaque britânico que vão acompanhando o condutor e alertando, de tempos a tempos, para os excessos. Em boa verdade, são elas que melhor resumem este carro: "One car, one driver, one mission." O Camden S é narcisismo puro, um brinquedo de criança atestado com 184 cavalos. Não é carro de família nem uma berlina para o fim--de-semana. Se por 34 mil euros não sonhar com isso, o resto é óptimo.

Fonte: Jornal I

Vai ao Mundial? Compre um colete à prova de facadas por 50 euros


Para evitar que a festa do futebol se converta na festa do crime, a empresa britânica Protektorvest pôs à venda coletes à prova de punhaladas, os quais recomenda a todos os que visitarem a África do Sul durante o Mundial de 2010.

Esta iniciativa pôs de novo sobre a mesa o debate sobre a segurança num país onde se cometem 50 assassinatos por dia.

O colete custa 50 euros e pode ser adquirido personalizado com a bandeira da sua equipa preferida ou com mensagens como “Free Hugs” (Abraços grátis) ou “Olé” (como se canta nos estádios de futebol).

Fonte: Jornal I